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riscos_e_rabiscos

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Cliente Exigente

 

 

Chegámos à conclusão, eu e o N., de que não tínhamos nada em casa para jantar e decidimos ir ao supermercado do costume.
 
Precisava de umas coisas da charcutaria (recomendo o fiambre de frango ou de peru que são magros. Olhem a linha!) e fui retirar uma senha. Quando reparei na numeração ia-me dando uma coisa má pois tinha todo o supermercado à frente!
 
Como achei que tinha mais que fazer do estar ali a ser hipnotizada pela máquina de fatiar queijo e fiambre e o meu sistema olfactivo a ser invadido pelo cheiro maravilhoso dos enchidos e queijinhos, fui buscar os produtos que me faltavam.
 
Mesmo assim, ainda tive que esperar um pouco. Faltavam 4 senhas para a minha vez, doíam-me os pés e não me apetecia andar feita barata tonta. Eis senão quando chega uma senhora com um miúdo prai de 4 ou 5 anos. Ficou a aguardar a sua vez, tal como eu.
Fomos atendidas simultaneamente. Ela começou a fazer o seu pedido com a cara mais enjoada do mundo e o miúdo a fazer o seu pedido “pessoal”.
 
Como a mãe não lhe ligava nenhuma, o miúdo empoleirou-se ao balcão e disse:
 
- Queria duas gramas de chouriço, se faz favor!
 
Risota geral (excepto a trombuda da mãe)! É que não era nem mais uma nem menos uma grama, era aquela quantia exacta: duas gramas!
E como o cliente tem sempre razão, a senhora da charcutaria, deu-lhe uma fatia de chouriço que devia ter memos as duas gramas. Só vos digo que o puto comeu a fatia com uma cara de satisfação… Parecia que estava a comer um manjar dos deuses! Ahahahah!

Outra Vez?!

 

Desconfio que existem pessoas cujo backside deve ter cola. Tipo super cola. Conheço um par de jarras que deve pertencer a essa espécie humana.

 

A desocupação, as desculpas para não se fazer nada e viver à custa do estado proliferam em Portugal, como é sobejamente conhecido. Uns porque não “gostam” de trabalhar, outros porque trabalhar faz calos e outros, ainda, porque querem empregos e não trabalho.

 

Assim sendo, passam os dias a vaguear: de casa para o café, do café para casa; de casa para o café, do café para casa. A sua vidinha resume-se a uma estadia no café de manhã, outra à tarde e, provavelmente, outra à noite (até o café fechar)! Oh vida boa!

 

Depois ainda há aqueles que vão beber café, buscar tabaco e jornais… fiado! Só pagam no fim do mês – talvez -, quando receberem os subsídios que nós pagamos com os nossos descontos.

 

Estas duas alminhas – o par de jarras, que são mãe e filho – passam todo o dia no café. A ocupar espaço pois o consumo resume-se a uma bica à vez, que é para economizar. O filho bebe de manhã e ficam os dois a ler o jornal até à hora de almoço. À tarde bebe a mãe e depois ficam a apanhar sol na moleirinha.

 

Esta situação não agrada minimamente aos donos do café. Para além de ocuparem mesas um dia inteiro e, às vezes, quem faz grandes consumos não tem sítio para se sentar, o consumo dos ditos não justifica.

Seja a que hora for que eu passe pelo café, lá estão eles sentados! Já era tempo de mudar-se a paisagem ao café, não?!